Diálogos com o Acaso 1
Advogo o diabo
(quiçá rogada)
libelo flagrante
fragmentos rodopiam aleatórios
ou nem tanto
Resisto ao fácil girar da maçaneta
Não quero consumir-me por palavras
eternizar-me fóssil neste castelo
Longo edíficio que construíste
incitante belo princípe de barbas azuis
Tremulo palpito receio
com penca de chaves nas mãos a cair
não entro
Quisera ser hieroglifo
Quebra cabeça que não se encaixa (a não ser em peito seu)
a mais uma de suas fadas enfadadas secas e aniquiladas
a limitar-me em previsível circunferência nestas tão linhas retas
e esvair-me em progressiva e lenta degradação rumo a morte.
Onde as palavras restam vivas, na triste condição de serem demasiadas ou módicas
reverberando somente passado quente na tela fria
Enquanto o amor... ah.
N,'
Comentários
Entendi só agora o que deves ter entendido mas este teu entendimento não tem muito a ver com o que se passou pra que esta ocorresse.
(palavras mal posicionadas)
As palavras EM GERAL são módicas ou demasiadas.
As tão linhas retas inevitáveis no processo de TODA e qualquer escrita.
O problema são as palavras ora insuficientes como meio de expressão, ora fortes demais.
Por exemplo a palavra SOFRIMENTO.
Em si ela não carrega a carga de sofrimento, ela não te faz sofrer entende(interrogação).
Seria necessário olhar nos olhos desta palavra para captar seu sofrer.
Daí a idéia do não fechar nas palavras estes sentires inomináveis...
Não entro em méritos estéticos de forma alguma.
Problemática geral das palavras.
O universal delas.
Quebra cabeça que não se encaixa (a não ser em peito seu)/
a mais uma de suas fadas enfadadas secas e aniquiladas" pensei em meu passado de fadas aniquiladas, foi daí que parti para a minha interpretação "errada". Mas como a poesia se transforma e se revitaliza através do leitor meu "erro" pode até ter sido bom. Acho que apesar da confusão meu comentário segue válido, visto que o que almejo são os ... (3pontinhos) Isso vc entendeu né! Te adoro. Beijos